
Recentemente me aconteceu um fato bastante curioso, que motivou a escrever esse artigo de última hora: Estava em busca de um determinado serviço e encontrei o anúncio de uma empresa em um destes sites de classificados.
Mais que natural, enviei um e-mail para essa empresa, solicitando maiores informações sobre seus serviços, formas de pagamentos, etc. Até aí, tudo bem…
Agora, imaginem o meu espanto quando recebi a resposta deles: um e-mail bastante grosseiro e mal-educado, dizendo, em outras palavras, que eu deveria ter vergonha de praticar SPAM e que eles têm mais o que fazer do que ficar lendo o e-mail não-solicitado que eu havia enviado. (!!!)
- Peraí!! Tá maluco?? Solicitei informações porque ví o SEU anúncio e ESTAVA interessado nos SEUS serviços…
Abro um parêntese na história para ressaltar como o comportamento humano se altera quando se sente protegido por uma “armadura”, seja ela um automóvel ou o anonimato da internet. No trânsito a disputa é praticamente centímetro a centímetro com os demais. Na internet, simplesmente se esquece que, por detrás dos e-mails, existem pessoas, adotando formas de tratamento repugnantes.
Esse episódio maluco fez com que eu prestasse atenção sobre o que se diz a respeito do SPAM, e confesso que fiquei bastante preocupado, afinal, está beirando uma paranóia.
O SPAM é realmente uma praga, mas é necessário ter bom-senso até para combatê-lo.
Encontrei “estatísticas” que juram que 95 % do que é feito na internet é SPAM.
Calma lá: 95 %!
Em primeiro lugar: De onde vêm esses números? Quem os mede? Acho muito pouco provável que os provedores gastassem processamento de máquina para medir o que cada usuário faz na rede, algo do tipo:
- este usuário está acessando o YouTube, esse usuário está acessando o Orkut, esse usuário está enviando e-mail (nem todo email é spam, afinal), esse usuário está enviando SPAM…
Ora, se houvesse realmente essa medição, seria muito simples resolver o problema, identificando e punindo o spamer.
O fato é que a internet é, realmente, a mídia de propaganda em massa mais barata e democrática que existe, e seu sucesso se baseia justamente nisso. Poucas empresas podem se dar ao luxo de anunciar em jornais, revistas e, muito menos, na TV. Na internet todos podem. Infelizmente, a generalização desta paranóia é causada pela falta de bom-senso na utilização do e-mail.
Como identificar um SPAM
Um spamer nunca tem boas intenções. Essa é uma lei universal. Suas mensagens pretendem induzir à execução de alguma ação, que pode ser desde a retransmissão do e-mail para outros destinatários, baixa de arquivos (geralmente com vírus ou trojans), acessar um determinado site para aumentar artificialmente sua taxa de visitas, entre outras.
Um spam segue alguns padrões:
A característica mais presente é o remetente não identificável. Ele sabe que está fazendo coisa errada e, por isso, se esconde. O campo remetente nunca possui o endereço de e-mail real de quem enviou a mensagem.
Uma variação desta regra é tentar se passar por um remetente confiável, geralmente uma grande empresa, conhecida e idônea.
O conteúdo da mensagem não permite a identificação do remetente. A mensagem não possui formas de contato, telefone, endereço, site, etc. Além disso, não apresenta nenhuma informação, apenas insiste, através de subterfúgios mais variados, que você acesse algo.
Envio da mesma mensagem diversas vezes. Ora, se fosse uma propaganda comum, enviar uma ou cem vezes para o mesmo destinatário teria o mesmo efeito: se o destinatário não tiver interesse no produto, receber vários e-mails não fará com que esse interesse apareça. Aliás, o efeito é justamente o contrário.
Na verdade, o spamer aposta que a gente se distraia ou fique curioso e acabe clicando ou, ainda, que outra pessoa (filho, esposa, marido) esteja utilizando o computador no momento que a mensagem for recebida.
Se a mensagem recebida possuir um remetente claramente identificado, o assunto da mensagem for compatível com seu conteúdo, possuir telefone e e-mail para contato, a identificação da empresa remetente e seu site, pode ter certeza: é apenas uma empresa com pouca verba para publicidade, lutando pela sua sobrevivência.
Tudo bem, ainda assim, seria melhor não recebê-la, mas não seja tão duro… Afinal, ao te enviar um e-mail marketing, o remetente te autoriza a enviar a ele também, então não perca a oportunidade. Nós mesmos temos diversas experiências de empresas que nos enviaram e-mail marketing e, no final, acabaram por se tornarem nossos clientes. Além disso, geralmente, essas mensagens são enviadas uma única vez, então, se não tiver interesse, apague.
E nos casos em que o remetente envia vários e-mails por dia, todos os dias? Bom, é aqui que se iniciam os abusos e o mau uso do recurso.
(Essas dicas servem apenas se o remetente for uma empresa legítima):
Se o e-mail possuir uma instrução para remoção da lista, recurso praticamente obrigatório para empresas sérias, siga-a corretamente. Se disser para enviar um email com o assunto “Remover”, enviar com outro assunto não vai retirá-lo da lista. Se não possuir, uma simples resposta do tipo: “Guardarei sua mensagem para referência futura, mas no momento não tenho interesse. Por favor, remova meu email de sua lista.” Uma resposta direta e educada surte mais efeito do que xingar e esbravejar.
Porém, verifique se o e-mail com o qual está enviando a solicitação para remoção é o mesmo que recebeu a mensagem, senão não vai ter efeito algum.
Além disso, responder ou entrar em discussões com spamer, no mínimo, gera mais spam, pois desta forma, você acaba de confirmar que seu endereço de e-mail é válido.
Como se proteger?
Bem, você pode reclamar junto ao seu provedor ou administrador da rede, enviando a mensagem recebida para o endereço de reporte de spam.
Opcionalmente, pode-se encaminhar a reclamação para o e-mail relays@mail-abuse.org, incluindo no corpo da mensagem, a diretiva: Relay:, este procedimento é um tipo de denúncia automática.
Porém, como o verdadeiro spamer dificilmente é identificado, forjando endereços, servidores e relays, geralmente, fora do país, não espere muita coisa.
A solução mais efetiva para eliminar os spams que você já recebe se baseia na aplicação de filtros anti-spam aos seus e-mails, bloqueando e-mails específicos, domínios e palavras-chave, tanto no assunto quanto no conteúdo da mensagem, bem como recursos de confirmação de envio de mensagens.
E, para não aumentar o número de spam que recebe, o único recurso é a prevenção:
Evite se cadastrar em sites que prometem não divulgar seus dados. Evite se cadastrar em vários sites e listas de divulgação de atualizações de informação, etc.
Caso resolva se cadastrar, uma dica é utilizar uma conta de e-mail separada, tipo GMail, IG ou Yahoo para efetuar seus cadastros e verifique o que acontece. Se não receber spam, está comprovado que é um site idôneo, portanto, você poderá alterar seu cadastro para seus dados reais, caso contrário, basta excluir essa conta e adeus spam!